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Acesso em 24/05/2024 às 12h48.

Seminário comemorou Dia Mundial da Reciclagem

Seminário comemorou Dia Mundial da Reciclagem

Conselho promoveu evento on-line que discutiu a reciclagem de plásticos no Brasil

18 de maio de 2023, às 17h44 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Especialistas participaram de evento on-line promovido por comissão do Conselho

 

Em comemoração ao Dia Mundial da Reciclagem, em 17 de maio, a Comissão Técnica de Elastômeros e Polímeros (CTEP) do CRQ-IV/SP promoveu um seminário via YouTube para analisar o panorama da reciclagem de plásticos no País. Na pauta, o conceito de economia circular, dados da reciclagem no Brasil e no mundo, diferentes tipos de resíduos e técnicas de processamento, entre outros temas. A mediadora foi Karina Daruich, Química Industrial e integrante da CTEP.

O primeiro palestrante foi o Engenheiro Químico Cláudio Roberto Passatore, membro CTEP e que tem 27 anos de experiência na indústria. Ele afirmou que os principais efeitos econômicos e ambientais da reciclagem são a redução dos resíduos enviados para aterros, redução da poluição do solo, água e ar e geração de renda, entre outros. Mostrou os tipos de resíduos e abordou a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que trata de seu descarte. Falou que um conceito importante é a rotulagem de produtos, que vai auxiliar no momento da reciclagem, e comentou sobre os métodos de separação de resíduos plásticos.

Passatore explicou como são os tipos de reciclagem, primária, secundária, mecânica, química e energética, e como é feita a identificação do material por meio de uma ficha técnica que traz uma série de indicadores, como tipo do polímero e aplicação recomendada. O especialista relacionou as principais aplicações dos plásticos reciclados, destacando que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou o Pet-PCR para uso em embalagens de alimentos, o que valoriza o plástico reciclado.

Finalizou sua apresentação com uma abordagem sobre a ficha de Avaliação do Ciclo de Vida dos produtos e detalhes de sua elaboração.

A segunda palestrante foi a Química Industrial Simone Carvalho Levorato, especialista em polímeros, e também integrante da Comissão Técnica de Elastômeros e Polímeros. Ela explicou as diferenças entre economia linear e economia circular e os resultados da Pesquisa de Reciclagem de Plásticos realizada pela PicPlast e MaxiQuim Disse que a economia linear se baseia na extração de recursos naturais que geram matérias-primas, que por sua vez geram produtos; estes produtos são consumidos e descartados, junto com suas embalagens. “Este modelo está atingindo seu limite”, alertou Levorato, porque é ineficaz em uma sociedade contemporânea, que busca reduzir a pobreza, as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e a exaustão dos recursos naturais.

O modelo linear se baseia na redução de custos e numa visão de curto prazo. Já na economia circular os recursos naturais circulam o maior tempo possível no ciclo econômico, incluindo remanufatura, reparo, reuso e redistribuição, até o produto finalmente ser descartado. A economia circular otimiza a produção de recursos, cria modelos de negócios e associa o crescimento econômico a um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo, configurando a maior mudança do atual modelo econômico desde a revolução industrial.

Desde 2018, o PicPlast, que é o Plano de Incentivo à Indústria do Plástico, uma parceria entre a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Braskem e a MaxiQuim, consultoria especializada na indústria química, petroquímica e de plásticos, realizam uma pesquisa sobre reciclagem mecânica de plásticos pós-consumo, que são os resíduos plásticos domiciliares. A integrante da CTEP explicou a metodologia utilizada e mostrou muitos dados obtidos pela pesquisa PicPlast/MaxiQuim de 2021, como o volume de resíduos de ciclo de vida curto consumidos na reciclagem, que foi de 1.587 mil toneladas naquele ano, e o índice de reciclagem mecânica no Brasil, de 23,4%.

O seminário também contou com a participação do professor Hélio Wiebeck, do Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica da USP. “O Brasil enterra muita matéria-prima e necessita de um modelo inteligente para a reciclagem”, alertou. Wiebeck mostrou o fluxo dos resíduos sólidos urbanos e um vídeo de uma unidade de triagem automatizada em funcionamento, para destacar a vantagem de tempo entre a triagem automatizada e a manual. Falou sobre as etapas da reciclagem mecânica, que tem o objetivo de chegar a um produto acabado com propriedades equivalentes à do material virgem, e a linha de reciclagem para separação de polipropileno e poliestireno e seu funcionamento.

Explanou também sobre a reciclagem de isopor, dizendo que hoje há várias empresas que reciclam este material. Mostrou como funciona uma extrusora plastificante e as etapas da reciclagem mecânica, dizendo que a reciclagem está tão diversificada que algumas empresas só fazem o trabalho de lavar e moer os resíduos plásticos.

Na sequência os palestrantes responderam às perguntas dos participantes. Com mais de 400 visualizações até a publicação desta matéria, a íntegra do seminário está disponível no canal do CRQ-IV/SP no YouTube.

 

 

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