Marca do CRQ para impressão
Disponível em <https://crqsp.org.br/rutenio/>.
Acesso em 30/07/2026 às 22h24.

Rutênio

Rutênio

30 de julho de 2026, às 9h47 - Tempo de leitura aproximado: 6 minutos

Banner Química Viva

 

Metal raro que homenageia a Rússia

 

Amostra de rutênio: metal brilhante que oxida rapidamente em contato com o ar. Foto dnh_macro on Visualhunt

 

O rutênio é um metal prateado e brilhante, de símbolo Ru e número atômico 44 e está localizado no grupo 8 da Tabla Periódica. Pertence ao grupo dos metais da platina, que também inclui ródio, paládio, ósmio irídio.

É um dos metais mais raros da Terra. Pode ser encontrado isolado na natureza, mas normalmente está associado com outros metais do grupo da platina, nos minerais pentlandita (Fe,Ni)₉S₈, uma mistura de ferro, níquel e enxofre, e na rocha ígnea piroxinita. É obtido comercialmente como subproduto do refino do níquel.

O rutênio é prateado claro, não escurece em temperatura ambiente, e não oxida rapidamente quando exposto ao ar em temperatura ambiente. Para formar tetróxido de rutênio, RuO4, geralmente é necessário temperatura elevada ou meio fortemente oxidante.

O metal é utilizado principalmente como catalisador em ligas com a platina e na indústria de eletrônicos.

O elemento não tem função biológica conhecida. O óxido rutênio(IV) é altamente tóxico.

 

Em jatos, superligas e na indústria química

 

O rutênio está presente nas lâminas das turbinas de aviões a jato. Foto Jeppi 94 on Visualhunt.

 

Os principais usos do rutênio incluem seu emprego como revestimento para ânodos de titânio na produção eletrolítica de cloro (Cl₂) e como catalisador em diversos processos industriais, incluindo a síntese de amônia.

Por aumentar a resistência mecânica da platina e do paládio, o rutênio é utilizado em ligas com esses metais na fabricação de contatos elétricos, melhorando significativamente sua resistência ao desgaste.

O rutênio também está presente em superligas que resistem a altas temperaturas, utilizadas, por exemplo, em lâminas de turbinas de motores. Em joalheria é adicionado a ligas de ouro para aumentar sua dureza e durabilidade.

Uma proporção mínima de rutênio, 0,1%, se adicionada ao titânio, multiplica sua resistência à corrosão em centenas de vezes.

Compostos deste metal são utilizados em células solares, que transformam a energia da luz em energia elétrica.

 

A clássica caneta Parker 51, lançada em 1944, tem na ponteira uma liga com rutênio. Foto penmanila on Visual Hunt

 

A clássica caneta-tinteiro Parker 51, com design revolucionário para a época, ganhou uma pena formada por uma liga de ouro, rutênio e irídio a partir de 1944.

O composto vermelho de rutênio é usado como corante em microscopia, pois se fixa a biomoléculas com carga negativa, como ácidos nucleicos, facilitando sua observação. Em outra aplicação, o tetróxido de rutênio pode revelar digitais ao reagir com óleos e gorduras.

Complexos de rutênio têm potencial em tratamentos contra o câncer. O Jornal da USP traz dados de um estudo sobre o tratamento do melanoma, o tipo mais perigoso do câncer de pele, com uma substância sintetizada em laboratório que combina rutênio e uma molécula derivada de um composto orgânico, a antraquinona. A substância conseguiu interromper o crescimento de células de melanoma e produzir sua morte.

Em outra frente da química medicinal, pesquisadores da USP desenvolveram uma nova família de compostos à base de rutênio com potencial para tratamento da doença de Chagas. Os acetatos de rutênio sintetizados em laboratório foram mais eficientes em testes in vitro  do que o medicamento de referência contra a doença utilizado no Brasil.

 

Produção

O rutênio ocorre sempre com outros metais do grupo da platina. Ele é encontrado em minérios dos Montes Urais, na Rússia, nas Américas do Norte e do Sul; em pequenas quantidades na pentlandita (Fe,Ni)₉S₈ obtida na região de mineração de níquel de Sudbury, no Canadá, e nos depósitos de piroxinita na África do Sul.

Assim como o ósmio e o irídio, o rutênio normalmente é um subproduto da produção de platina, paládio, ródio e níquel. Paládio, platina, prata e ouro se dissolvem em água régia; o resíduo contém rutênio, ósmio, ródio e irídio. Após uma separação complexa, rutênio e ósmio são obtidos em forma de pó.

Não existem dados específicos para a produção mundial de rutênio, mas apenas dos metais do grupo da platina como um todo. Um relatório do Serviço Geológico dos Estados Unidos – USGS – de 2021 traz dados sobre alguns desses metais, e informa que os maiores produtores de rutênio foram África do Sul, Zimbabwe e Rússia. Em 2021, estes três países produziram 33 mil e 700 quilos de rutênio. Os metais do grupo da platina são tão raros que sua produção mundial é medida em quilos, e não em toneladas.

Um relatório produzido pelo Serviço Geológico norte-americano informa que, de janeiro a junho de 2025, o preço médio do rutênio foi de 590 dólares por onça troy, o que equivale a 31,10 gramas.

 

Descoberta

 

Os químicos que descobriram o rutênio: o alemão Gottfried Osann encontrou indícios do elemento, e o russo Karl Klaus isolou o metal 19 anos depois. Wikimedia Commons.

 

Em 1825, Gottfried Osann, da Universidade de Dorpat, no Báltico, investigou   platina obtida nos Montes Urais e anunciou ter descoberto três novos elementos, que chamou de plurânio, polínio e rutênio. Os dois primeiros nunca foram isolados, mas o terceiro elemento era verdadeiro, embora Osann só tenha observado, na época, seus indícios.

Em 1844, o químico russo Karl Klaus, da Universidade de Kazan, extraiu, purificou e confirmou que o rutênio era um novo metal, sendo reconhecido pela descoberta.

Klaus manteve o nome dado originalmente por Gottfried Osann ao elemento, ruthenia, o nome latino para Rússia.

 

 

Referências

N.N. Greenwood, A. Earnshaw. Chemistry of the Elements. Butterworth Heinemann, 1997.

Ruthenium. Disponível em https://periodic-table.rsc.org/element/44/ruthenium. Acesso em 15/10/2025.

Células de tumor agressivo são eliminadas por composto à base de metal raro. Disponível em https://jornal.usp.br/ciencias/celulas-de-tumor-agressivo-sao-eliminadas-por-composto-a-base-de-metal-raro/. Acesso em 17/10/2025.

Fármacos à base de rutênio têm alto potencial contra doença de Chagas. Disponível em https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-biologicas/farmacos-a-base-de-rutenio-tem-alto-potencial-contra-doenca-de-chagas/. Acesso em 17/10/2025.

Platinum-Grop Metals 2021. Disponível em https://pubs.usgs.gov/myb/vol1/2021/myb1-2021-platinum-group.pdf?utm_source=chatgpt.com. Acesso em 17/10/2025.

Which Transition Metal Can Help Solve Crime? Disponível em https://www.americanchemistry.com/chemistry-in-america/news-trends/blog-post/2018/which-transition-metal-can-help-solve-crime. Acesso em 15/10/2025.

J.D.Lee. Química Inorgânica não tão concisa. Ed. Edgard Blucher. 1997.

Ruthenium. Disponível em https://www.chemeurope.com/en/encyclopedia/Ruthenium.html. Acesso em 15/10/2025.

ALVES, F.E; SILVA, P.P. e GUERRA, W. Metais do grupo da platina: história, propriedades e aplicações. Química, Boletim da Sociedade Portuguesa de Química, v. 119, p. 27-33, 2010

ATKINS, P. W. Shriver & Atkins química inorgânica. BOOKMAN, 2008.

EMSLEY, J. Nature’s Building Blocks: An AZ Guide to the Elements , Oxford University Press, Nova York, 2ª edição, 2011.

HAYNES, W. M. ed., CRC Handbook of Chemistry and Physics , CRC Press/Taylor and Francis, Boca Raton, FL, 95ª edição, versão da Internet 2015, acessado em dezembro de 2014.

STRATHERN,P. O sonho de Mendeleiev: a verdadeira história da química. (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges). Ed. Zahar. 2002.

 

Texto produzido pela jornalista Mari Menda, da Gerência de Relações Institucionais do CRQ-SP,
e revisado pela Profa. Márcia Guekezian, Coordenadora do curso de Engenharia Química
da Faculdade de São Bernardo do Campo – FASB.

 

Compartilhar