Ródio
Ródio
11 de junho de 2026, às 13h53 - Tempo de leitura aproximado: 7 minutos

Nobre, raro e caríssimo

O ródio, de símbolo Rh, é um metal de transição prateado claro, muito raro, com alta refletividade à luz, e número atômico 45. Está localizado no grupo 9 e no período 5 da Tabela Periódica, abaixo do cobalto e acima do irídio. É um metal de transição e faz parte dos elementos do bloco d
Normalmente é o metal precioso mais caro do mundo, embora em alguns momentos seu valor de venda seja superado pelo rênio devido às variações do mercado. O alto valor se deve ao fato de ser extremamente raro, tão raro que sua produção é contabilizada em quilos, e não em toneladas. O ródio está presente em apenas 0,0001 partes por milhão na crosta terrestre.
De acordo com o anuário World Mining Data 2025, publicado na Áustria, os maiores produtores mundiais de ródio em 2023 foram África do Sul, Rússia e Zimbabwe, com produção mundial de 22.835 quilos.
Entre janeiro e junho de 2025, uma onça troy de ródio custava, em média, U$ 5.243 dólares, enquanto outros metais caros, como o irídio, custavam U$ 4.300 dólares e a platina, U$ 1.023 dólares por onça troy, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Uma onça troy equivale a 31,1034768 gramas.
Usos

O ródio tem ampla utilização em processos industriais, e em ligas com irídio, paládio e platina o ródio produz um material endurecido. Em geral, esse tipo de material é utilizado para revestir cadinhos de laboratório, na produção de fibra de vidro, espelhos ópticos, eletrodos para velas de ignição, enrolamentos de fornos e filtros de raios X.
O ródio é também utilizado na produção de um dispositivo de conversor catalítico automotivo. Um conversor catalítico em um automóvel reduz a toxicidade do óxido de nitrogênio liberado pelo veículo. Esse conversor, de platina, ródio e outras substâncias, torna os gases poluentes menos nocivos por meio de processos de oxirredução.
Outras formas de emprego do ródio são como material de contato elétrico, já que o metal possui baixa resistência elétrica e alta resistência à corrosão.
Peças banhadas com ródio são excepcionalmente resistentes, e por este motivo são usadas na produção de instrumentos ópticos.

O ródio é utilizado ainda na fabricação de joias. Embora seja um dos metais mais valorizados do mundo, o ródio puro não é maleável o suficiente para a produção de joias devido à sua dureza. Por este motivo, ele é usado em joalheria para a formação de uma camada protetora e reflexiva sobre outros metais, já que auxilia a manter o brilho ao longo do tempo, além de proteger contra a corrosão. Alguns tipos de penas de canetas tinteiro são banhadas com ródio para ampliar sua durabilidade.
Ocorrência

Traços de ródio são encontrados em minerais que contêm metais do grupo da platina, como paládio, prata, platina e ouro, e também frequentemente encontrados nos minérios de sulfeto de cobre e níquel, e por este motivo sua extração industrial é complexa.
Os minérios que contêm ródio são encontrados na África do Sul, nas areias de rios dos Montes Urais, na Rússia, e no Canadá, especificamente em Sudbury, na província de Ontário. Embora a quantidade em Sudbury seja muito pequena, o grande volume de níquel processado na região torna a obtenção de ródio comercialmente viável, pois o ródio é o subproduto do refino do níquel.
Além de estar presente nos minérios da platina, o ródio pode estar isolado na natureza como um metal inerte, muito difícil de fundir.
Também é possível extrair ródio do combustível nuclear: 1 quilo de produtos gerados pela fissão de 235U contém 13,3 gramas de 103Rh. Isso significa que haverá cerca de 400 gramas de ródio por tonelada de combustível usado.
Características
O ródio é um metal duro, resistente ao ataque por ácido, mas reage com O2 e com halogênios a altas temperaturas. Ele se dissolve parcialmente em água régia e a dissolução completa na forma de pó só ocorre com ácido sulfúrico. O ródio forma um grande número de compostos de coordenação e se torna reativo nesses compostos. Tem ponto de fusão mais alto e densidade mais baixa que a platina.
O ródio, como metal livre, ocorre em apenas um isótopo natural, o 103Rh. Apesar disso, o ródio pode ocorrer como alguns radioisótopos estáveis, com meias-vidas mais longas, e outros vinte, com meias-vidas inferiores a uma hora.
Os radioisótopos mais estáveis do elemento são o 99Rh (meia-vida de 16 dias), o 102Rh (meia-vida de 207 dias) e o 101Rh (meia-vida de 3,3 anos). O principal modo de decaimento do ródio com massa atômica abaixo do isótopo natural estável, 103Rh , é a captura eletrônica, tendo como produto o rutênio, e com massa atômica maior que o isótopo natural é a emissão beta, tendo como produto o paládio.
Há também numerosos metaestáveis, sendo os mais estáveis o 102mRh com uma meia-vida de 2,9 anos e o 101mRh com meia-vida de 4,34 dias.
Descoberta

O ródio foi descoberto em 1803, na Inglaterra, por William Hyde Wollaston, ao pesquisar minerais, com platina, provavelmente obtidos na América do Sul. Ele colaborou com Smithson Tennant em um empreendimento comercial, que incluía a produção de platina pura para venda.
O primeiro passo do processo consistia em dissolver platina em água régia (ácido nítrico com ácido clorídrico) que formou um resíduo preto. Tennant investigou esse resíduo e isolou a partir dele o ósmio e o irídio. Wollaston focou na solução residual de platina dissolvida, que também apresentava paládio. Removeu esses metais por precipitação e ficou com uma bela solução vermelha, da qual obteve cristais vermelho-rosados. Estes eram sal de cloreto de ródio e sódio, Na3RhCl6. A partir deles, Wollaston finalmente produziu uma amostra de ródio metálico.
Wollaston deu ao novo elemento um nome com base na palavra grega “rodon”, ou “rosa” por causa da cor rósea normalmente encontrada nas soluções aquosas dos sais de ródio.
Além do ródio, William Hyde Wollaston também isolou o paládio.
Referências
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STRATHERN,P. O sonho de Mendeleiev: a verdadeira história da química. (tradução de Maria Luiza X. de A. Borges). Ed. Zahar. 2002.
Texto produzido pela jornalista Mari Menda, da Gerência de Relações Institucionais do CRQ-SP,
e revisado pela Profa. Márcia Guekezian, Coordenadora do curso de Engenharia Química
da Faculdade de São Bernardo do Campo – FASB
