Química na medicina: marcapassos minúsculos e visão artificial
Química na medicina: marcapassos minúsculos e visão artificial
Pesquisadores criam dispositivos médicos do futuro menores e com tecnologias biocompatíveis29 de janeiro de 2026, às 11h27 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

Eletrônicos flexíveis, capazes de conduzir eletricidade como os tecidos biológicos, que se degradam dentro do corpo sem causar danos e se conectam perfeitamente com os órgãos. Assim podem ser os dispositivos médicos em um futuro próximo.
As pesquisas nessa área começaram no final dos anos 1970, quando se descobriu que certos polímeros são capazes de conduzir eletricidade. Com uma série de aplicações em várias áreas, a descoberta também levou a pesquisas na área médica.
Dispositivos eletrônicos flexíveis apresentam vantagens que vão além da simples capacidade de se adaptarem às morfologias dinâmicas dos tecidos para um melhor encaixe; eles também podem funcionar como tecido natural, o que evita o desencadeamento de uma resposta imunológica, a formação de tecido cicatricial e, por fim, sua rejeição pelo organismo.

Na Northwestern University, em Illinois, Estados Unidos, pesquisadores do Centro de Eletrônicos Bio Integrados liderados por John A. Rogers criaram marcapassos milimétricos, com componentes que se degradam dentro do corpo e formam substâncias solúveis em água, que podem excretadas pelos rins depois de seu uso. São marcapassos de uso temporário para bebês recém-nascidos ou pessoas submetidas a cirurgias cardíacas, que precisam de um dispositivo por apenas um certo período de tempo. O marcapasso desenvolvido pelo grupo tem o tamanho de um grão de arroz, e elevou a noção de eletrônicos compatíveis com tecidos a um novo patamar.
No estudo em que apresenta o marcapasso milimétrico, publicado pela revista Nature, o grupo de pesquisadores informa que a mesma tecnologia pode ser adaptada a uma série de outras aplicações em eletroterapia, como a regeneração de ossos e nervos, o tratamento de ferimentos e a terapia da dor. Acesse o estudo aqui.
Melhora da visão
Outros centros de pesquisa ao redor do mundo têm testado diferentes versões de próteses de retina para o desenvolvimento da chamada visão artificial.
Doenças hereditárias da retina levam à perda dos cones e bastonetes existentes nessa região do olho. Mas apesar disso, as células ganglionares e o nervo óptico, que enviam sinais visuais para o cérebro, permanecem intactos. Isso significa que, se cones e bastonetes artificiais forem desenvolvidos, as informações visuais ainda poderão ser enviadas ao cérebro para serem interpretadas.

Para que isso seja possível, foram desenvolvidos dispositivos com microchip para serem implantados em olhos humanos. Os microchips enviam sinais eletrônicos às células restantes da retina, que transmitem o sinal pelo nervo óptico para processamento no cérebro. Esses microchips medem normalmente 2 por 2 milímetros ou 3 por 3 milímetros. Outros tipos de dispositivos, que estimulam o nervo óptico ou o cérebro diretamente, em vez da retina, também estão sendo pesquisados. Mais informações aqui.
Embora as próteses de retina já sejam aprovadas para uso, elas só são recomendadas para pessoas que ainda possuam um mínimo de visão. As próteses permitem que as pessoas enxerguem objetos grandes, mas ainda não são capazes de recuperar a visão necessária para tarefas normais do dia a dia ou para ver televisão, por exemplo. Um artigo de revisão da revista Clinical Neurophysiology checou 40 grupos de estudos que construíram dispositivos e estratégias de estimulação. Veja aqui.
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Referências
How soft electronics are transforming medical devices. https://www.chemistryworld.com/features/how-soft-electronics-are-transforming-medical-devices/4022806.article?utm_source=cw_daily_mon&utm_medium=email&utm_campaign=cw_newsletters. Acesso em 27/01/2026.
Millimetre-scale bioresorbable optoelectronic systems for electrotherapy. https://www.nature.com/articles/s41586-025-08726-4.
Artificial vision. https://retinauk.org.uk/medical-research/approaches-to-treatment/artificial-vision/.
An update on retinal prostheses. https://www.sciencedirect.com/topics/medicine-and-dentistry/retinal-implant.
