Peixes ensinam como retirar microplásticos da água por meio de bio-filtros
Peixes ensinam como retirar microplásticos da água por meio de bio-filtros
12 de janeiro de 2026, às 14h44 - Tempo de leitura aproximado: 2 minutos

Microplásticos são fragmentos de plásticos com tamanho entre 1 nanômetro e 5 milímetros. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP), eles estão em todos os lugares da Terra: no solo, na água, no ar e até mesmo no corpo de seres humanos e animais.
Os microplásticos não são biodegradáveis e por isso permanecem séculos no ambiente, podendo contaminar alimentos, poluir rios e oceanos e ser ingeridos por animais e pessoas.
O problema é gigantesco: o UNEP estima que em 2020 foram lançados no meio ambiente 2,7 milhões de toneladas de microplásticos, quantidade que deve dobrar em 2040.
Esses pequenos pedaços de plásticos, formados principalmente pela desintegração de produtos como sacos de supermercados, roupas de poliéster, tintas, pneus e embalagens de alimentos e bebidas, também se formam durante a lavagem das roupas. Em uma casa com 4 pessoas, a água usada na lavadora pode conter um total de 500 gramas de microplásticos a cada ano por causa da abrasão dos tecidos. E esta água é lançada na rede de esgotos e vai para os rios, que desembocam no mar.
Uma das soluções pesquisadas, curiosamente, veio do mar. Mais especificamente, dos peixes.
Pesquisadores da Universidade de Bonn e do Instituto Fraunhofer para Tecnologia Ambiental, Segurança e Energia, da Alemanha, desenvolveram um filtro com base no sistema de brânquias dos peixes, considerando o fato de que os peixes são mestres na tecnologia de filtragem, uma capacidade desenvolvida em sua evolução de centenas de milhões de anos. Veja o estudo aqui.
Como funciona
Certos peixes se alimentam por meio da filtragem da água do mar, como as sardinhas, as cavalinhas e as anchovas. Eles nadam com a boca aberta e filtram o plâncton com seu sofisticado sistema de brânquias.
Os pesquisadores observaram a estrutura do sistema de filtração de fluxo cruzado dos peixes e usaram-na como modelo para desenvolver um bio-filtro que usa o mesmo sistema e pode ser empregado em lavadoras domésticas. Em testes iniciais, o filtro conseguiu remover mais de 99% das fibras plásticas das águas residuais das lavadoras.
O novo filtro está sendo patenteado na Alemanha, e espera-se que, em breve, ele já saia de fábrica nas lavadoras de novas gerações.
Isso ajudaria a reduzir a dispersão dos microplásticos nos rios e mares, como parte do esforço para encarar e, espera-se, um dia, mitigar o problema.
