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Acesso em 20/07/2024 às 16h00.

Live abordou os compostos químicos e as propriedades dos cogumelos

Live abordou os compostos químicos e as propriedades dos cogumelos

Especialistas apresentaram os benefícios para a saúde, técnica de cultivo e tecnologias ligadas à área

1 de julho de 2024, às 17h19 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

 

A Comissão Técnica de Meio Ambiente do CRQ-IV/SP realizou nesta segunda-feira, 1, a live “O Mundo dos Cogumelos – aspectos químicos e novas tecnologias”. Estiveram em pauta a composição química dos cogumelos, o cultivo, o uso medicinal, a importância para a saúde humana e as novas tecnologias envolvidas.

O primeiro palestrante da tarde foi o Biólogo Edison de Souza, que já atuou no Centro de Pesquisas de cogumelos comestíveis em Mogi das Cruzes, foi Diretor Técnico da Associação Nacional dos Produtores de Cogumelos e Presidente da Câmara Setorial da Fungicultura do Estado de São Paulo. Atualmente ele é proprietário da Brasmicel, laboratório de produção de Micélio e de cogumelos comestíveis, e consultor na produção cogumelos comestíveis no Brasil e exterior.

Segundo ele, a produção mundial de cogumelos gira em torno de 12,5 milhões de toneladas, sendo 8% são colhidos na natureza, 17% produzidos artificialmente para uso medicinal e 75% produzidos para alimentação. A China é o país que possui a mais longa história no cultivo de cogumelos e as primeiras coletas datam de cerca de 5.000 a 4.000 a.C.

A cada ano, o Brasil importa em torno de 20 mil toneladas de cogumelo in conserva, o que corresponde a 36 mil toneladas in natura, e produz em torno de 24,5 mil toneladas. O consumo per capita no país é de 0,30 kg, enquanto a média mundial é de 1,5 kg. Além disso, o estado de São Paulo responde por 75% da produção nacional de cogumelos.

Técnica Juncao de produção – A técnica foi criada em 1983, após anos de pesquisa dos irmãos chineses Dr. Lin Zhanxi e Dr. Lin Zhanxua, da Universidade de Fuzhou, na China. Diferente do cultivo tradicional, que ocorre nos troncos das árvores e serragens, a técnica produz cogumelos utilizando substratos como capim, farelo e gesso agrícola. Além de econômica, a técnica é ambientalmente mais vantajosa e segura, uma vez que se conhece exatamente o tipo de cogumelo que está sendo produzido.

 

Exemplo de cultivo de cogumelo com a técnica Juncao

 

Benefícios para a saúde – Em seguida, foi a vez da Química Erna E. Bach falar sobre as propriedades medicinais e os benefícios dos cogumelos para a saúde. Ela já atuou como professora universitária e pesquisadora do Instituto Biológico, e trabalha com uso de produtos naturais como cicatrizantes ou protetores de resistência em plantas de campo com ênfase em Bioquímica, Microbiologia (fungos, liquens), interação planta-patógeno, além de avaliar composição química de cogumelos. Erna também é membro da Comissão Técnica de Meio Ambiente.

Segundo ela, os cogumelos são ricos em potássio, fósforo, vitaminas, são livres de colesterol e possuem baixo teor de ácidos graxos, além de conterem beta-glucana, substância que auxilia o sistema imune e o sistema digestivo, reduz inflamações e ajuda a combater células cancerosas.

Além de mostrar a composição química de alguns tipos de cogumelos, Erna apresentou pesquisas de sua autoria que foram feitas com animais para observar as propriedades dos cogumelos com alta concentração da beta-glucana e o seu potencial como antitumoral, no controle de diabetes e, mais recentemente, no controle da doença de Alzheimer e na reparação dos nervos.

 

Pesquisa em andamento verifica se o cogumelo juba-de-leão pode ajudar a combater a doença de Alzheimer

 

Ela falou ainda sobre as espécies venenosas e alucinógenas. No Brasil, uma das espécies alucinógenas mais comuns é o Psilocybe cubensis, famoso por surgir em pastos e ser bastante psicoativo. Para confirmar que se trata dessa espécie, é possível observar se ele apresenta uma coloração azulada ao ser machucado.

Por fim, Erna apresentou as novas tecnologias para aproveitamento dos resíduos que sobram após a produção dos cogumelos com a técnica Juncao. Já existem pesquisas para transformar esses resíduos em materiais resistentes, capazes de serem utilizados em construções. A Nasa também estuda a possibilidade de criar casas a partir desse material para serem enviadas à Lua.

Na Islândia, Alemanha e França, um novo cogumelo chamado Fomes fomentarius, que ainda não existe no Brasil, também é estudado como possível substituto do plástico.

Outras informações sobre o tema foram detalhadas na live, que segue disponível no canal do CRQ-IV/SP no YouTube. Acesse aqui.

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