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Disponível em <https://crqsp.org.br/flerovio/>.
Acesso em 26/02/2026 às 21h19.

Fleróvio

Fleróvio

26 de fevereiro de 2026, às 10h00 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos

Da descoberta em Dubna aos estudos químicos mais recentes

 

Georgy Flerov, o segundo da esquerda, visita as obras do GSI, o Centro de Pesquisas de Íons Pesados, em Darmstadt, na Alemanha, em 1973; elemento 114 homenageia o cientista russo. Foto A. Zschau, GSI/FAIR

 

O fleróvio, com símbolo Fl, é um elemento químico sintético, pertence ao grupo 14, do carbono, silício, germânio, estanho e chumbo, no sétimo período da Tabela Periódica. Apresenta número atômico 114 e é altamente radioativo, sendo sintetizado em aceleradores de partículas por meio da fusão de núcleos de cálcio e de plutônio. Suas propriedades são estimadas e baseadas em estimativas teóricas de outros metais similares. Provavelmente apresente brilho metálico, seja sólido a temperatura ambiente e apresente estados de oxidação +2 e +4.

Em relação aos isótopos do fleróvio, todos são radioativos, apresentam meias-vidas muito curtas, de milissegundos a segundos, e não possuem isótopos naturais estáveis. Há estudos em que os isótopos variam de Fl284 a Fl290, mas o mais estudado é o isótopo Fl289, obtido em pequenas quantidades.

 

História do fleróvio

Um encontro científico internacional em 1989 abriu as portas para a síntese do fleróvio.

O nome fleróvio homenageia Georgiy N. Flerov, chefe do Laboratório de Reações Nucleares, que pertence ao Instituto Central de Pesquisas Nucleares em Dubna, na Rússia.

Naquele encontro de 1989, o químico norte-americano  Ken Hulet, do Laboratório Lawrence Livermore, da Califórnia, juntamente com o professor Flerov decidiram unir esforços para obter novos elementos químicos superpesados utilizando o ciclotron U400 disponível em Dubna. Várias tentativas foram feitas, sem sucesso.

Mas entre novembro e dezembro de 1998, durante 40 dias de operações ininterruptas, uma equipe russo-americana liderada por Yuri Oganessian e Vladimir Utyonkov acelerou por hora dez mil trilhões – ou 10.000.000.000.000.000 – de íons de cálcio-48, um isótopo raro de cálcio com 48 nêutrons, a cerca de 10 por cento da velocidade da luz, e bombardeou plutônio-244. No dia 22 de novembro de 1998, o grupo obteve o primeiro átomo de fleróvio-289, que teve duração de 30,4 segundos antes de decair. No ano seguinte, mais dois átomos foram produzidos.

Aquele grupo de pesquisadores, com alguns novos colaboradores internacionais, foi responsável pela descoberta de seis elementos superpesados. Além do fleróvio, de número atômico 114, eles sintetizaram os elementos 113, 115, 116, 117 e 118.

O novo elemento ganhou na época o nome temporário de ununquadium, e sua denominação definitiva e o símbolo Fl foram adotados pela União Internacional de Química Pura e Aplicada – IUPAC – em maio de 2012. O nome foi sugerido pelos cientistas de Dubna e do Lawrence Livermore National Laboratory para homenagear o grande físico russo.

 

Georgiy N. Flerov (1913-1990) foi um dos descobridores da fissão espontânea do urânio em 1940, ao lado de Konstantin Petrzhak; foi um importante integrante do programa atômico soviético e esteve presente no primeiro teste da bomba atômica soviética em 1949. Foi o pioneiro no estudo da física dos íons pesados, e fundou, em 1957, o Laboratório de Reações Nucleares, que faz parte do Instituto Conjunto de Pesquisas Nucleares, em Dubna.

 

Assista ao vídeo da Universidade de Nottingham que aborda a descoberta do fleróvio, a escolha de seu nome e características do elemento:

 

 

Descobertas mais recentes

Diagrama incluído no estudo On the adsorption and reactivity of element 114, flerovium mostra o padrão de deposição dos isótopos 288 e 289Fl e de outros elementos.

 

Em 2022, um grupo internacional de pesquisadores divulgou mais informações sobre as propriedades químicas do fleróvio, o elemento mais pesado a ser quimicamente analisado até o momento.

Sob a liderança de pesquisadores de Darmstadt e Mainz, na Alemanha, os dois isótopos de fleróvio de vida mais longa, fleróvio-288 e fleróvio-289, foram investigados na instalação experimental TASCA, desenvolvida no Centro de Pesquisas com Íons Pesados em Darmstadt, na Alemanha, especificamente para pesquisar os elementos superpesados.

 

Referências

New Superheavy Elements for the Periodic Table. Disponível em  https://www.llnl.gov/sites/www/files/llnl_65th_anniversary_book.pdf. Acesso em 18/06/2025.

On the adsorption and reactivity of element 114, flerovium. Disponível em https://www.frontiersin.org/journals/chemistry/articles/10.3389/fchem.2022.976635/full. Acesso em 25/06/2025.

Flerovium and Livermorium Join the Periodic Table. Disponível em https://publications.iupac.org/ci/2012/3404/iw1_periodic_table.html. Acesso em 17/06/2025.

Flerovium. Disponível em https://periodic.lanl.gov/114.shtml. Acesso em 17/06/2025.

Flerovium. Disponível em https://periodic-table.rsc.org/element/114/flerovium. Acesso em 17/06/2025.

Georgy Flerov. Disponível em https://ahf.nuclearmuseum.org/ahf/profile/georgy-flerov/. Acesso em 25/06/2025.

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HAYNES, W. M., ed., CRC Handbook of Chemistry and Physics , CRC Press/Taylor and Francis, Boca Raton, FL, 97ª edição, versão da Internet de 2015, acessado em maio de 2025.

MADUMAROV, A. et al. Research on properties of superheavy elements copernicium and flerovium in a gas phase chemistry setup. In: Eleventh International Conference on Radiation, 2023. Book of Abstracts. [S. l.]: RAD Centre, 2023. Disponível em: http://www.rad-conference.org//RAD_2023-Book_of_Abstracts.pdf#page=266.

MERÇON, F.; QUADRAT, S. V. A Radioatividade e a História do Tempo Presente. Química Nova na Escola, [s. l.], v. 19, p. 27–2, 2004.

SCHWERDTFEGER, P. One flerovium atom at a time. Nature Chemistry[s. l.], v. 5, n. 7, p. 636–636, 2013. Disponível em: https://www.nature.com/articles/nchem.1688.

 

Texto produzido pela jornalista Mari Menda, da Gerência de Relações Institucionais do CRQ-SP,
e revisado pela Profa. Dra. Márcia Guekezian, Coordenadora do curso de Engenharia Química
da Faculdade de São Bernardo do Campo – FASB.

 

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