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Disponível em <https://crqsp.org.br/desenvolvimento-de-vacinas/>.
Acesso em 28/04/2026 às 11h50.

Desenvolvimento de vacinas

Desenvolvimento de vacinas

Da biologia viral às novas estratégias de imunização

27 de abril de 2026, às 16h19 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

O papel da química e as principais estratégias utilizadas no desenvolvimento de vacinas foram abordados em uma live promovida nesta segunda-feira no canal do CRQ-SP no YouTube. A live foi organizada pela Comissão Técnica de Serviços de Saúde do CRQ.

O palestrante foi o químico Paulo Sanches, que tem mestrado e doutorado em Biotecnologia pelo Instituto de Química da Unesp de Araraquara, e a mediação foi feita pela técnica em química e enfermeira Leda Longhi.

Paulo abriu a palestra fazendo um histórico do desenvolvimento da primeira vacina desenvolvida no mundo contra a varíola, ou smallpox, doença que acometia a população desde a Antiguidade, e tem registros desde o Egito antigo.

Mostrou a figura de uma vestimenta com um bico, que era usada pelos médicos na Idade Média. A seguir demonstrou como as grandes navegações a partir do século XVI disseminaram as doenças para as populações das Américas, que não tinham contato anterior com os patógenos da peste e da varíola.

Detalhou como, em 1796, o médico britânico Edward Jenner desenvolveu a primeira vacina contra a varíola após observar que as pessoas que viviam no campo e ordenhavam vacas leiteiras eram acometidas com versões mais leves da varíola. Fez um histórico de como a população reagiu positivamente à aplicação da vacina de Jenner, que passou a ser aplicada em crianças. Mostrou o trabalho de Louis Pasteur, responsável pelo desenvolvimento de uma vacina contra a raiva em 1885. Em 1918/1919 houve uma pandemia de gripe espanhola, e foi desenvolvida uma vacina contra influenza. E em 1967 começou uma campanha de vacinação em massa estimulada pela Organização Mundial da Saúde para erradicação da varíola no mundo.

Paulo informou que em 1971 foram desenvolvidas as vacinas contra caxumba e rubéola, duas doenças virais com grandes índices de mortalidade, e em 1988 a Organização Mundial da Saúde lançou um programa de erradicação da poliomielite, doença viral que afetava principalmente crianças.

Em 2016 houve o desenvolvimento da vacina contra meningite e em 2019 a primeira vacina do Ebola, um dos vírus mais mortais da face da terra, que afetou populações do continente africano. Em 2021 foram desenvolvidas as vacinas contra a covid, em meio à pandemia mundial. A linha do tempo mostrou que a partir de Edward Jenner foi possível entender como o corpo pode se defender contra as doenças do cotidiano, afirmou.

 

Paulo mostrou a estrutura de um vírus, e explicou em detalhes como é o funcionamento de suas partes. Discorreu sobre a forma de multiplicação dos vírus nos seres humanos ao mostrar uma ilustração da estrutura do Sars Cov-2, o vírus da covid. Depois mostrou em detalhes como se dá a infecção e a multiplicação viral dentro das células. “Entender a estrutura de proteínas dos vírus é fundamental para o desenvolvimento das vacinas”, afirmou.

Mostrou como as vacinas funcionam, por meio de vírus inativados ou com vírus enfraquecidos, para que o organismo desenvolva anticorpos contra as infecções, evitando que os vírus entrem nas células, e acrescentou que existem várias tecnologias para produção de vacinas. As plataformas são conjuntos de técnicas para produzir as vacinas. Mostrou as plataformas de vírus recombinantes, de vacinas de peptídeos, vírus atenuados e vírus inativados, entre outros tipos, e explicou as diferentes tecnologias existentes. Depois esclareceu como é feito o desenvolvimento de vacinas com vírus vivo atenuado e com vírus inativado, e quais suas diferenças. Falou como são as vacinas com mRNA mensageiro e como atuam.

Falou sobre as partículas semelhantes ao vírus, conhecidas pela sigla VLPs, como atuam na produção de vacinas e suas vantagens de uso nas plataformas de vacinas. Explicou como as VLPs ativam o sistema imune e como o organismo vai produzir anticorpos para os patógenos.

Ao final, mostrou os componentes de uma vacina, tais como os ingredientes ativos, estabilizantes, preservativos de bactérias e fungos que evitam a proliferação de microrganismos, antibióticos e adjuvantes, que vão auxiliar na ativação do sistema imune.

A produção de uma nova vacina não é um processo simples, mas bastante complexo, e Paulo mostrou uma linha do tempo de desenvolvimento de uma vacina. São 4 fases, que incluem estudos de avaliação de segurança, ensaios clínicos até o monitoramento de segurança, um processo longo, que demora muitos anos. Falou também do importante papel dos químicos nesse processo.

Ao final, Paulo Sanches respondeu às perguntas dos participantes. A live está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=QxaqHMkARWs.

 

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