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Acesso em 24/05/2024 às 14h22.

Congresso comemorou 30 anos do programa AR

Congresso comemorou 30 anos do programa AR

11 de novembro de 2022, às 11h52 - Tempo de leitura aproximado: 6 minutos

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) promoveu no dia 8 de novembro, de forma on-line, a 18ª edição do Congresso Atuação Responsável, que completa 30 anos de implantação no Brasil. Foram abordadas a história e a evolução do programa, além de questões ligadas à sustentabilidade e à economia circular.

João Parolin, presidente do Conselho Diretor da Abiquim

O presidente do Conselho Diretor da Abiquim João Parolin fez a abertura do congresso. Segundo disse, o Atuação Responsável proporcionou uma grande evolução à indústria química brasileira. Na sequência, André Passos Cordeiro, presidente-executivo da Abiquim, fez um histórico do programa. Destacou momentos importantes, como os anos de 1998, quando a Abiquim passou a exigir a implantação do AR como condição de filiação, e de 2009, quando o slogan do programa passou de “Um compromisso da indústria química” para “Compromisso com a sustentabilidade”. Ele anunciou em primeira mão que em algumas linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a empresa que participar do AR obterá taxas de juros mais baixas.

A seguir, Jeff Kovacs, presidente do Conselho Internacional das Associações Químicas, (ICCA na sigla em inglês) falou sobre os desafios do Responsible Care, denominação do programa internacional que inspirou o Atuação Responsável no Brasil. Disse que o ICCA recentemente assinou um memorando com a Organização das Nações Unidas (ONU) para um trabalho conjunto visando ampliar a segurança e tornar o ambiente da indústria química mais responsável e seguro.

Dois diretores do American Chemistry Council (ACC) falaram na sequência sobre tendências globais na regulação e na gestão segura de produtos químicos. Francisco Laguna abordou o novo plano de ação para produção e uso de produtos perigosos e tóxicos lançado pela China este ano, alertando que o programa tem muitas lacunas e não foi suficientemente divulgado. Ele informou também que a União Europeia adicionou três novas classificações sobre produtos químicos perigosos, entre eles bioacumuladores persistentes. Laguna informou também que os Estados Unidos estão revendo 34 substâncias e suas cadeias de fornecimento sob vários aspectos de segurança e gestão de riscos.

Raleigh Davis, uma das diretoras do American Chemistry Council (ACC)

A outra representante do ACC, Raleigh Davis, falou sobre o programa Strategic Approach to Internacional Chemicals Management (SAICM), que visa montar uma estrutura política em nível mundial para a gestão de produtos químicos. Disse que a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente decidiu em sua quinta sessão que um órgão de fiscalização deve ser estabelecido para contribuir com a questão do manuseio de produtos químicos e de resíduos e para reduzir a poluição.

Novo Programa – Na segunda parte do congresso do Atuação Responsável foi feito o lançamento do Programa EngajAR. Wellington Bonifácio, coordenador da Comissão de Gestão do Atuação Responsável da Abiquim, explicou que o objetivo do EngajAR é fomentar entre os associados a ideia de cumprir integralmente os dispositivos do AR, seus valores e programas. Bonifácio homenageou duas empresas participantes do Atuação Responsável: a Brucai Logística e a Unipar Carbocloro. Diretores das duas empresas foram chamados e falaram sobre suas experiências.

A economia circular foi tema seguinte. Rodolfo Viana, coordenador do Grupo de Trabalho de Economia Circular da Abiquim, falou sobre como o setor pode ser protagonista da economia circular. Os conceitos e tendências desse modo de produção foram abordados por Sergio Monforte, coordenador da Rede de Economia Circular da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ele explicou que economia circular é o modelo econômico que utiliza uma abordagem sistêmica para manter o fluxo circular dos recursos, por meio da adição, retenção ou recuperação de seu valor, enquanto contribui para o desenvolvimento sustentável. Monforte citou a criação de cartilhas de compras sustentáveis e a defesa do conceito de economia circular no Congresso Nacional entre as ações desenvolvidas pela CNI para divulgar o assunto.

Sonia Chapman, Secretária Executiva da Rede Empresarial Brasileira de Avaliação de Ciclo de Vida (Rede ACV), falou a seguir. Disse que sustentabilidade, economia circular e economia regenerativa são os temas do momento, e que a sociedade exige a aplicação imediata desses conceitos. Para isso é fundamental olhar o ciclo de vida, pensar de onde vem a matéria-prima, o que acontece em cada fase de beneficiamento e o que é preciso fazer para sua reciclagem.

Prapti Muhuri, gerente de Reciclagem da Divisão de Plásticos do ACC

Circularidade – O assunto a seguir foram as novas tecnologias para a circularidade de materiais, com Prapti Muhuri, gerente de Reciclagem da Divisão de Plásticos do American Chemistry Council. Ela disse que o plástico é um material muito necessário para uma economia de baixo carbono e revelou que o ACC tem a meta de reciclar 100% dos plásticos consumidos nos Estados Unidos até 2040. Citou a reciclagem química como uma das soluções, e tecnologias para reciclagem, como a pirólise, e as técnicas de dissolução, em que os plásticos são transformados em outros plásticos. A reciclagem química é usada em plásticos que não podem ser reciclados mecanicamente, explicou. Divulgou o site https://plasticmakers.org/ para quem quiser mais conteúdos sobre o tema.

Os avanços da economia circular no Brasil foram o tema de Paulo de Mattos Coelho, Diretor de Desenvolvimento de Negócios para Economia Circular da Braskem. Ele apresentou dados sobre mudanças climáticas e as iniciativas adotadas pela Braskem para redução das emissões de CO2 com foco em eficiência energética, remoção de carbono e captura de carbono.

O segundo painel do congresso foi sobre mudanças climáticas. A questão da pegada de carbono foi abordada por Alessandro Pistillo, do programa Together for Sustainability (TfS). Ele informou que as empresas participantes do grupo se dedicam a obter excelência na sustentabilidade, e recentemente começaram a desenvolver um padrão de redução de emissões para a indústria química. Para ajudar nesta tarefa foi elaborada a Cartilha Tfs, com dados sobre descarbonização específicos para a indústria química. O guia já tem 5 capítulos e continua em fase de elaboração. Ele pode ser baixado da internet sem custo no site da Together for Sustainability: https://www.tfs-initiative.com/.

 

 

A seguir, Daniel Gouveia, engenheiro na Rhodia Solvay, falou das ações realizadas pela Rhodia nas fábricas do grupo em Paulínia rumo à neutralidade de carbono. Mostrou os objetivos da Solvay para combater a crise climática até 2030, com ações, como redução em 30% das emissões do gás causador do efeito estufa e neutralidade nas emissões de carbono.

 

 

A última palestrante do dia foi de Marina Barki, Gerente de Relação com Stakeholders da LatAm da Climate Bonds Initiative, que falou sobre a questão do financiamento climático. A LatAm é uma organização internacional que mobiliza capitais de empresas mundiais para ações climáticas.

 

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