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Acesso em 18/05/2024 às 20h00.

Certas moléculas são cruciais para os efeitos da luz na pele

Certas moléculas são cruciais para os efeitos da luz na pele

Presentes em tecidos biológicos, os chamados fotossensibilizadores endógenos são essenciais para ação dos raios UVA e da luz visível na pele humana, mostra artigo de revisão

10 de agosto de 2023, às 9h57 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

Foto: Freepik

 

Não importa a parte do corpo humano exposta à luz – cabelos, pele ou olhos – nem se a fonte luminosa é natural ou artificial, as consequências biológicas das reações de oxidação induzidas pela luz dependem em grande parte das propriedades fotoquímicas intrínsecas e da localização de fotossensibilizadores presentes naturalmente em tecidos biológicos, chamados de fotossensibilizadores endógenos, que são moléculas que transformam a energia da luz em reatividade química.

Quando nos expomos ao Sol, são os fotossensibilizadores endógenos na nossa pele que provocam transformações tanto benéficas quanto prejudiciais. Em um artigo de revisão publicado no periódico Chemical Reviews, os cientistas Erick Bastos, Frank Quina e Maurício Baptista, do Instituto de Química (IQ) da USP, apresentam uma análise abrangente dos fotossensibilizadores endógenos na pele humana, investigando as conexões entre a excitação de seus elétrons pela luz e subsequente ativação ou danos a biomoléculas. O trabalho indica as possíveis causas do aumento contínuo dos casos globais de câncer de pele e aponta as limitações das abordagens atuais de proteção solar.

A pele é formada por três camadas: epiderme, derme e hipoderme. A luz atinge profundidades diferentes, dependendo do comprimento da radiação, das características das espécies absorventes presentes e das propriedades ópticas da pele. Raios ultravioleta B (UVB), que representam cerca de 5% da radiação UV que chega à Terra, penetram apenas nas camadas mais superficiais (epiderme), mal alcançando a derme. Já os raios ultravioleta A (UVA) e a luz visível atingem a camada celular basal e a derme e são absorvidos por fotossensibilizadores endógenos.

A luz visível representa cerca de 47% da radiação solar total que atinge a pele humana e é a faixa espectral que forma os maiores níveis de radicais livres gerados sob exposição ao Sol, respondendo por 50% do total.

Fotossensibilização – Embora a radiação UVB seja considerada mais deletéria por ser absorvida diretamente pelo DNA, os pesquisadores afirmam que uma mensagem importante deste trabalho de revisão é que a fotossensibilização permite que a luz visível e a radiação UVA produzam grandes efeitos na pele. As oxidações fotossensibilizadas são reações provocadas pela interação da luz com uma molécula fotossensibilizadora na presença de oxigênio.

“Conseguimos posicionar a fronteira da fotoquímica que acontece na pele sob exposição solar. Mostramos os fotossensibilizadores e as reações. Falamos de proteínas, lipídios, carboidratos e tudo mais que tenha relevância no tema. É um artigo importante tanto pela abrangência quanto pela profundidade, e o formalismo químico está perfeito. Minha expectativa é que esse trabalho fomente mais pesquisas nessa área”, afirmou Maurício Baptista, que também é membro do Redoxoma – um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Erros – “Em termos de saúde pública, há dois problemas principais nas orientações quanto à exposição ao Sol: é um engano dizer que as pessoas podem usar protetor solar e se expor ao Sol por muito tempo; e, por outro lado, também é um engano dizer que o Sol é perigoso sempre, em qualquer condição”, afirma o pesquisador.

Sobre os aspectos benéficos do Sol para a saúde, ele menciona um estudo controlado com aproximadamente 30 mil suecas sem histórico de câncer, que descobriu que a baixa exposição ao Sol é um fator de risco para mortalidade por todas as causas.

Clique aqui para ler a íntegra da reportagem feita por Maria Celia Wider e veiculada no Jornal da USP.

 

 

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