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Acesso em 17/04/2024 às 06h26.

A importância da esterilização de instrumentos na área de saúde

A importância da esterilização de instrumentos na área de saúde

12 de julho de 2023, às 17h49 - Tempo de leitura aproximado: 6 minutos

 

A esterilização de instrumentos, utilidades e equipamentos da área de saúde foi o tema do Fórum de Esterilização: arma aliada à saúde contra o inimigo invisível, promovido hoje (12/07) e transmitido ao vivo pelo canal do CRQ-IV/SP no YouTube. A live foi realizada pela Comissão Técnica de Serviços de Saúde do CRQ-IV/SP e teve mediação de Leda Longhi, Técnica em Química, Enfermeira e Especialista em Esterilização por Óxido de Etileno.

 

Da água fervente ao primeiro esterilizador

 

No primeiro painel, o palestrante Antonio Barreto, graduado em Gestão Hospitalar e Tecnologias em Gestão Ambiental, falou sobre a história da esterilização, processos e métodos. Ele fez um histórico dos métodos usados no Egito antigo, quando feridas e água eram esterilizados com cobre, e sobre Hipócrates e Galeno, que ferviam os instrumentos cirúrgicos antes de usá-los. Do século V ao século XV todos os hábitos desenvolvidos pelos egípcios, romanos e gregos foram perdidos, e viveu-se na idade média a peste negra.

No século 19 o médico húngaro Ignaz Semmelweis instituiu a lavagem das mãos e a assepsia antes de procedimentos cirúrgicos. Em 1880, o cirurgião norte-americano William Halsted iniciou o uso de luva cirúrgica. Ainda no século 19, o médico alemão Roberto Koch estudou as bactérias e criou uma substância bactericida. O cientista francês Louis Pasteur, em 1874, defendeu que os instrumentos médicos fossem imersos em água fervente e passados sobre as chamas, reduzindo infecções. Charles Chamberld, Químico francês que trabalhou com Pasteur, desenvolveu o primeiro esterilizador a vapor em 1876. Este aparelho ficou conhecido como autoclave.

Antonio Barreto explicou que a esterilização visa destruir todas as formas de vida microbiana, com objetivo de prevenir infecções, dar segurança para pacientes e profissionais e promover maior vida útil aos materiais, entre outros objetivos. A esterilização se baseia no tipo de material e no tipo de contaminação encontrada, e pode ser realizada por processos químicos ou físicos. Ele explicou que os processos químicos são feitos por compostos fenólicos, clorexidina e álcoois, entre outros. A seguir explicou a forma de ação de cada método, como o óxido de etileno, que é um gás muito utilizado, e o ácido peracético. Entre os métodos físicos destacou a radiação ionizante, que mata ou inativa os microrganismos, o calor úmido, como a autoclave, e o calor seco, aplicado através de estufa.

 

Esterilização com óxido de etileno

 

O Químico,  Matemático e  Engenheiro Químico Antonio Rocha falou sobre Validação e controle de monitoramento para um processo de esterilização por óxido de etileno – EtO. Ele é especialista em Esterilização por Óxido de Etileno e BPF para dispositivos médicos.

Rocha explicou que o óxido de etileno é um gás ou líquido incolor, a depender da temperatura em que se encontra, sendo tóxico e altamente reativo e inflamável. Explicou como o EtO age e como se dá o processo de esterilização por meio de um processo de alquilação. A seguir mostrou as características técnicas do EtO, como fórmula química, pontos de fusão e de congelamento, solubilidade e toxicidade. O óxido de etileno começou a ser utilizado nos anos 1960 e atualmente é usado em 65% dos dispositivos médicos.

O palestrante citou a norma ABNT NBR ISO 11113 sobre rotinas de esterilização, que regulamenta estes processos, e a Portaria interministerial 482, de 16 de abril de 1999, do Ministério da Saúde, que também normatiza o uso do EtO e o funcionamento das autoclaves. Mostrou as vantagens e desvantagens do EtO: entre as vantagens está a de esterilizar materiais acabados e ser extremamente difusível; entre as desvantagens está o fato de ser um gás muito tóxico, e por isso perigoso, e em consequência seu uso requer um processo automatizado em locais totalmente controlados.

Rocha falou sobre como monitorar o processo de esterilização com óxido de etileno, por meio de checagem de variáveis como temperatura, umidade relativa, concentração de EtO na câmara e o tempo de exposição. Afirmou que o processo é feito em câmaras de pressão, as autoclaves, e é totalmente automatizado, sendo os parâmetros controlados por softwares. As calibrações e qualificações devem ser exigidas das empresas responsáveis pela esterilização para que o processo seja validado com segurança e reprodutibilidade.

Ele mostrou como são as autoclaves e como se dá o ciclo de esterilização por EtO. Explicou como monitorar o processo por meio de controles de rotina, para checar a esterilidade e a atoxidade dos materiais, e abordou como fazer a qualificação dos equipamentos e das instalações, e também a validação dos processos, que são normatizados pela Anvisa. Ao final do processo restam subprodutos gerados pela esterilização por EtO, que podem ser o etilenoglicol e o etilenocloridrina, sendo que os limites máximos de resíduos nos materiais são normatizados pela Portaria interministerial 482. Afirmou que as normas brasileiras sobre o tema estão defasadas, e a melhor legislação a respeito é a ISO 10993-7.

 

Aspectos toxicológicos

 

A Química Industrial Sandra Quintanilha abordou os Aspectos toxicológicos, Riscos e Controles de Exposição de substâncias perigosas como o óxido de etileno. Ela definiu perigo químico e risco químico e disse que acidentes podem ser evitados por meio de uma avaliação de risco, que identifica o perigo e determina maneiras apropriadas de eliminá-lo.

Sandra falou sobre a classificação de perigo do óxido de etileno, que tem uma norma atualizada, o Sistema Globalmente Harmonizado NBR 14725, de julho de 2023, e disse que é importante revisar os perigos, e ler as frases de precaução que constam do GHS-BR, buscando informações específicas antes da utilização, inclusive sobre o transporte dessa substância perigosa.

A especialista também chamou a atenção para a importância dos equipamentos de proteção individual – EPI’s – explicando que a pele do trabalhador que lida com o EtO deve estar totalmente protegida e que luvas e máscaras são fundamentais para evitar exposição em caso de emergência.

Citando também a portaria 482/1999, ela disse que a norma trata da exposição de trabalhadores e como devem ser as instalações e as salas onde será efetuado o processo de esterilização, estocagem de EtO, seu manuseio e quais tipos de materiais devem existir nessas instalações. Esta portaria também aborda como será a eliminação do óxido de etileno responsavelmente no meio ambiente.

Afirmou que é importante ter um plano de emergência, e abordou os limites de exposição ao EtO e a necessidade de haver um monitoramento contínuo de concentração de óxido de etileno no ar, além de monitoramento biológico nos locais onde o gás é utilizado. No Brasil a Fundacentro tem normas para o monitoramento dos locais em que trabalhadores atuam com EtO. A seguir ela falou sobre o controle da concentração residual do óxido de etileno no material que é esterilizado, e frisou que a legislação brasileira está desatualizada quanto a isso.

Ao final, todos os palestrantes responderam às perguntas dos participantes. A live teve mais de 100 pessoas on-line durante sua transmissão. E para comemorar a marca de 10 mil inscritos no canal do Conselho no YouTube, quem participou ao vivo pôde participar do sorteio de uma inscrição a qualquer curso promovido pelas Comissões Técnicas da entidade.

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