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Disponível em <https://crqsp.org.br/europio/>.
Acesso em 08/08/2026 às 06h02.

Európio

Európio

7 de agosto de 2026, às 12h15 - Tempo de leitura aproximado: 7 minutos

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O elemento que dá cor a telas e lâmpadas

 

Európio metálico puro: rápida oxidação em contato com o ar cria o tom amarelado em sua superfície. Wikimedia Commons.

 

O európio é um elemento químico pertencente ao grupo dos lantanídeos, com símbolo Eu, número atômico 63 e massa atômica 151,9u. É o elemento quimicamente mais reativo e o mais macio do grupo das terras raras.

Como metal, apresenta coloração prateada, porém oxida-se rapidamente ao ar, formando uma camada superficial amarelada e escurecida. Também reage com a água. Devido à sua alta reatividade e à rápida oxidação, o európio metálico raramente apresenta brilho, mesmo quando armazenado em óleo mineral.

Em temperaturas entre 150 °C e 180 °C, o európio entra em combustão no ar, comportamento semelhante ao de outros elementos de terras raras, com exceção do lantânio. Além disso, apresenta emissão de luz vermelha característica quando exposto à radiação ultravioleta.

São conhecidos cerca de 17 isótopos de európio, dentre os quais se destacam os isótopos naturais estáveis ¹⁵¹Eu (~48%) e ¹⁵³Eu (~52%); além deles, existem diversos radioisótopos, como ¹⁵²Eu, ¹⁵⁴Eu, ¹⁵⁵Eu, que apresentam diferentes meias-vidas e elevada capacidade de absorção de nêutrons, sendo por isso utilizados em aplicações de controle em reatores nucleares.

O európio não desempenha função biológica conhecida e apresenta baixa toxicidade.

Seu nome faz referência ao continente europeu, sendo o único elemento da tabela periódica a homenagear um continente.

 

Ocorrência

 

O európio foi detectado no Sol e em algumas estrelas por meio de espectroscopia. Nasa Goddard

 

Na natureza, o európio não ocorre na forma livre, e está presente em minerais associados a outras terras raras, como a bastnasita e a monazita, que constituem suas principais fontes comerciais. O teor normal de európio na monazita é de aproximadamente 0,05%, enquanto na bastnasita proveniente da mina de Mountain Pass, nos Estados Unidos, é da ordem de 0,1%. Além disso, sua presença já foi identificada por espectroscopia no Sol e em algumas estrelas.

 

Minerais monazita e bastasita: mínimas percentagens de európio. Wikimedia Commons

 

Não há dados específicos sobre a produção mundial de európio, sendo as estatísticas disponíveis referentes ao conjunto dos elementos terras raras. Em 2024, a produção global de minérios contendo terras raras atingiu cerca de 390 mil toneladas, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Os principais produtores foram China, Estados Unidos e Myanmar. O Brasil também aparece com uma produção de aproximadamente 20 toneladas e reservas estimadas em 21 milhões de toneladas.

De acordo com o Sumário Mineral, da Agência Nacional de Mineração, as principais reservas de terras raras no Brasil estão associadas a rochas alcalinas-carbonatíticas, localizadas em Araxá, Poços de Caldas e Tapira, em Minas Gerais; Catalão, em Goiás; e Jacupiranga e Itapirapuã, em São Paulo. Também há reservas de terras raras associadas a granitos em Pitinga, no Amazonas, e a depósitos de argilas iônicas em Minaçu, Goiás.

Em Minaçu encontra-se a maior mina de terras raras em operação no país explorada desde 2024 pela Mineração Serra Verde. Depósitos do tipo argila iônica, como os de Minuaçu, apresentam maior facilidade e menor custo de extração, pois geralmente estão próximos à superfície, dispensando etapas como detonação, britagem e moagem. Além disso, essas argilas costumam apresentar maior proporção de óxidos de terras raras.

 

Lâmpadas, TVs, telefones

 

Antigas televisões de tubo passaram a exibir cores mais vivas com o európio: publicidade de 1966 cita vantagens das terras raras e sugere tons vermelhos brilhantes na tela. Sciencehistory.org

 

O desenvolvimento da televisão em cores não teria sido possível sem o európio, utilizado como dopante na produção de fósforos. O termo “dopagem” refere-se à adição de pequenas quantidades de um material a outro com o objetivo de alterar suas propriedades. Neste contexto, o európio atua como ativador luminescente, conferindo aos fósforos — materiais que emitem luz quando excitados por elétrons — a capacidade de produzir emissões intensas e bem definidas, especialmente na região do vermelho do espectro.

Na década de 1960, o uso do ortovanadato de ítrio dopado com európio permitiu que os televisores de tubo passassem a exibir intensos tons de vermelho. Enquanto o európio na forma trivalente (Eu³⁺) é responsável pela emissão na região do vermelho, seus compostos na forma divalente (Eu²⁺) produzem radiação azul. Atualmente, essas duas emissões são combinadas com um terceiro fósforo para produzir luz branca em lâmpadas fluorescentes compactas. Nesses sistemas, pequenas quantidades de európio contribuem para uma iluminação mais equilibrada e natural, ao ajustar a proporção entre a luz azul, mais fria, e a vermelha, mais quente.

Atualmente, esses materiais luminescentes são amplamente utilizados em telas de televisores e dispositivos móveis, contribuindo para a geração das cores vermelha e azul. Também encontram aplicação em equipamentos eletrônicos de medição, como osciloscópios e em instrumentos utilizados na aviação. Além disso, a fluorescência do európio é usada em estudos de interações biomoleculares, especialmente em ensaios voltados à descoberta de fármacos.  

Devido à sua elevada capacidade de absorver nêutrons, o európio também é usado em varetas de controle de reatores nucleares.

Vídeo da Universidade de Nottingham mostra características e usos do európio:

 

 

Descoberta

A partir da esquerda: Mosander, Welsbach, Marignac, Boisbaudran e Demarçay, descobridores das terras raras. Wikimedia Commons

 

A história do európio integra a complexa trajetória de descoberta dos elementos terras raras, também conhecidos como lantanídeos.

Ela inicia com a descoberta do cério em 1803. Em 1839, Carl Mosander isolou outros dois elementos: o lantânio e o que foi denominado didímio. Posteriormente, descobriu-se que o didímio não era um único elemento, mas uma mistura de duas terras raras distintas, o praseodímio e o neodímio, conforme demonstrado por Carl Auer von Welsbach, em 1879. Ainda assim, esse material continha outro metal mais raro, o samário, separado por Paul-Émile Lecoq de Boisbaudran no mesmo ano, embora ainda em forma impura.

A sequência de descobertas prosseguiu em 1886, quando Jean Charles Galissard de Marignac isolou o gadolínio a partir desse material. Em 1890, Paul Émile Lecoq de Boisbaudran identificou uma fração contendo európio em concentrados de samário-gadolínio, reconhecida por apresentar linhas espectrais distintas. No entanto, foi apenas em 1901 que Eugène-Anatole Demarçay, após um rigoroso processo de cristalizações sucessivas de nitrato de samário e magnésio, conseguiu isolar o európio como elemento. Em reconhecimento ao continente europeu, Demarçay atribuiu ao elemento 63 o nome európio.

 

 

Referências

Europium. Disponível em https://www.chemeurope.com/en/encyclopedia/Europium.html . Acesso em 11/11/2025.

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Texto produzido pela jornalista Mari Menda, da Gerência de Relações Institucionais do CRQ-SP,
e revisado pela Profa. Dra. Márcia Guekezian, Coordenadora do curso de Engenharia Química
da Faculdade de São Bernardo do Campo – FASB.

 

 

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