Perigo das misturas de produtos de limpeza
Perigo das misturas de produtos de limpeza
Live abordou rotulagem de produtos, cuidados e armazenagem4 de maio de 2026, às 16h53 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos
Uma live promovida nesta segunda-feira no canal do CRQ-SP no YouTube abordou as misturas perigosas de produtos de limpeza comuns no dia a dia, o que podem ocasionar e seus riscos à saúde. Os palestrantes foram os químicos Jefferson Santos e Leandro Espinoza, e a mediação foi feita pelo químico Nicholas Rodrigues.
Jefferson abriu a live trazendo casos reais de pessoas que fizeram misturas de produtos de limpeza e tiveram graves problemas de saúde ou até mesmo foram a óbito, lembrando que geralmente são pessoas jovens, saudáveis e produtivas, que sofrem com os gases produzidos por essas misturas. Os exemplos incluem um jovem que misturou cloro com desinfetante e uma mulher que faleceu após misturar cloro com detergente ácido. Jefferson lembrou que o gás cloro foi usado como arma química na primeira guerra mundial, porque gera irritação em todas as mucosas até chegar aos pulmões.

Ele mostrou uma tabela com produtos de limpeza que normalmente são usados na limpeza doméstica e o que acontece quando são misturados e os riscos que trazem à saúde, lembrando que a recomendação é nunca fazer misturas. Afirmou que muitas vezes, ao fazer as misturas, o consumidor destrói o poder de limpeza dos dois produtos.
“Qualquer pessoa pode sofrer um acidente grave com misturinhas de limpadores, homens, mulheres, crianças, idosos e até mesmo pets”, e por isso não se deve aceitar sugestões de misturinhas que aparecem na internet, nem divulgar essas práticas, disse.

Jefferson mostrou orientações para utilização de produtos de limpeza com segurança, que incluem o uso de luvas e equipamentos de proteção, nunca misturar produtos diferentes e manter os produtos fora do alcance de crianças, entre outras orientações. Orientou também os consumidores a buscarem informações confiáveis nos sites oficiais dos fabricantes de produtos de higiene e limpeza e a evitar dicas na internet.
O segundo palestrante, Leandro Espinoza, abordou uma série de aspectos que levam as pessoas a fazer as misturas de produtos de limpeza. Começou falando sobre a origem do mito de que misturar produtos limpa mais, e aspectos culturais, como o entendimento de que com maior número de componentes haveria maior eficácia operacional.
Leandro explicou que ao criar um novo produto de limpeza a indústria segue uma série de critérios nas formulações que levam em conta parâmetros como segurança toxicológica e sua eficiência. “Em um ambiente doméstico não há controle de concentração, cinética reacional e formação de subprodutos, já que a mistura caseira não é formulação química”.
A seguir mostrou o que realmente aumenta o desempenho da limpeza, que consiste em uma sequência de cinco passos: remoção mecânica, como varrição e raspagem para reduzir a sujeira e a contaminação; pré-enxague com água; limpeza com o produto escolhido, como desinfetante; depois vem a etapa crítica da limpeza, o enxágue, com remoção completa de tudo que foi usado na lavagem. Ele chamou a atenção para a importância desta etapa, já que um enxágue mal feito pode causar uma mistura indesejada com outro produto. A última etapa é a secagem.

Leandro trouxe uma lista de produtos que não devem ser misturados com nenhum outro, sendo o principal deles o cloro, por causa de sua instabilidade, já que na verdade é um gás, e sua liberação pode ocorrer após uma mistura com detergente, álcool ou outros produtos de limpeza à base de amônia. Outro produto que causa muitos acidentes é o ácido muriático, que reage fortemente com produtos como soda cáustica, produtos clorados e álcool. Os desengordurantes são incompatíveis com substâncias ácidas, como vinagre, e produtos clorados. O álcool etílico tem risco de explosão se for misturado com peróxidos, como alvejantes de roupas e tira manchas.
A seguir ele falou sobre a melhor forma de se armazenar os produtos de limpeza e quais devem ser mantidos longe de outros, e da importância de mantê-los em local seguro e ventilado. Falou da importância de se manter os produtos fora do alcance de crianças e de buscar informações sobre a procedência dos produtos. “Sem ventilação, sem uso de produtos de limpeza” é a regra de ouro do uso de produtos de limpeza, lembrou.

Ele mostrou uma resolução da Anvisa sobre a rotulagem de saneantes de uso doméstico, com informações sobre o que pode e o que não pode constar dos rótulos dos produtos, como as expressões “máxima eficiência” e “ecológico”, informando que também é proibido informar que algum organismo internacional recomendou o produto, por exemplo. Abordou em detalhes as inscrições que constam dos rótulos dos produtos e o que fazer em caso de emergência.
Ao final os palestrantes responderam às perguntas dos participantes. A live está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=BERJzrq2y7o.
