Criptônio
Criptônio
23 de abril de 2026, às 11h00 - Tempo de leitura aproximado: 7 minutos

Nobre e muito raro: este é o gás criptônio

O criptônio, símbolo Kr, apresenta número atômico 36 e massa atômica 83,8 u, é um gás incolor, insípido e inodoro. Faz parte do grupo dos gases nobres da tabela periódica, junto com hélio, neônio, argônio, xenônio, radônio e oganessônio, e tal como os outros gases nobres, é quimicamente inerte.
O nome criptônio tem origem na palavra grega kryptos, que significa “escondido”, devido a sua raridade, pois é um dos gases mais escassos da atmosfera, terrestre, representando aproximadamente apenas 1 parte por milhão (ppm) em volume. Na atmosfera de Marte, sua concentração é ainda menor, cerca de 0,3ppm.
O criptônio não tem papel biológico conhecido. Comercialmente é utilizado como gás de preenchimento em lâmpadas de baixo consumo de energia, como as lâmpadas fluorescentes, e também em determinados tipos de lâmpadas de flash fotográfico.
Ao contrário de outros gases mais leves do mesmo grupo, o criptônio apresenta reatividade suficiente para formar alguns compostos químicos. O difluoreto de criptônio, KrF2, já foi sintetizado em pequenas quantidades, e também foram obtidos outros compostos, como fluoretos de criptônio e sais derivados de oxiácidos desse elemento.
Características

Existem 31 isótopos conhecidos de criptônio. O criptônio de ocorrência natural é composto por cinco isótopos estáveis e um isótopo levemente radioativo. Sua assinatura espectral caracteriza-se por linhas finas e intensas, principalmente nas regiões verde e laranja do espectro eletromagnético.
O criptônio é altamente volátil quando está próximo a águas superficiais; entretanto, o isótopo 81Kr tem sido amplamente utilizado na datação de águas subterrâneas com idades entre 50 mil e 800 mil anos. Essa propriedade também foi explorada por pesquisadores na datação da geleira de Taylor, na Antártida, em estudos sobre a história climática da Terra a partir do gelo do hemisfério sul. O isótopo 81Kr permite a obtenção de informações confiáveis mesmo a partir de pequenas amostras extraídas do interior de glaciares.
O isótopo 85Kr, por sua vez, é um gás nobre inerte e radioativo, com meia-vida de 10,76 anos. É produzido pela fissão nuclear do urânio e do plutônio, como ocorre em testes nucleares e em reatores nucleares, sendo liberado principalmente durante o reprocessamento de varetas de combustível nuclear.
Lâmpadas, flashes, laser

As múltiplas linhas de emissão do criptônio fazem com que as descargas de gás ionizado apresentem coloração branca intensa, o que torna as lâmpadas à base de criptônio particularmente úteis em fotografia como fontes de luz branca muito brilhante. Por esse motivo, o criptônio é utilizado em determinados tipos de flashes especiais em fotografia de alta velocidade.
Lâmpadas fluorescentes são preenchidas com uma mistura dos gases criptônio e argônio. Além disso, o criptônio pode ser combinado com outros gases para a produção de placas luminosas capazes de emitir luz amarelo-esverdeada brilhante.
A descarga branca do criptônio é muito utilizada em sistemas de iluminação publicitária do tipo neon. Devido à sua elevada potência luminosa, superior à do neon na região da linha espectral vermelha, o criptônio é utilizado na produção de lasers vermelhos aplicados em palcos e espetáculos.
Na área de pesquisa de energia nuclear, o criptônio desempenha papel importante na produção e no uso do laser de fluoreto de criptônio, utilizado em diversas aplicações científicas e tecnológicas.
As principais empresas produtoras de criptônio no mundo estão localizadas nos Estados Unidos, China, Japão, França e Alemanha.
Medida padrão

Um isótopo do criptônio já foi utilizado como referência para a definição do metro. Em 1960, o isótopo ⁸⁶Kr substituiu o metro padrão de platina e irídio, formado por 90% de platina e 10% de irídio, que servia de referência mundial do metro desde 1889. A barra original tinha um décimo de milionésimo de um quadrante da circunferência polar da Terra.
Na 11ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, realizada em 1960, foi determinado que a unidade fundamental de comprimento deveria ser substituída por uma medida menos suscetível a alterações físicas. Assim, o metro passou a ser definido em termos do comprimento de onda da radiação eletromagnética correspondente à linha espectral laranja-avermelhada emitida pelo isótopo 86Kr.
Em outubro de 1983, o metro foi novamente redefinido pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), com sede em Paris. A partir de então, estabeleceu-se que um metro corresponde ao comprimento do caminho percorrido pela luz no vácuo durante o intervalo de tempo de 1/299.792.458 de segundo.
Descoberta

O criptônio foi descoberto em 1898 pelos químicos britânicos William Ramsay e Morris Travers a partir do resíduo de uma amostra de ar líquido evaporado. Quatro anos antes, em 1894, Ramsay e Travers já haviam descoberto o argônio.
O nome do novo gás teve origem na palavra grega kryptos, que significa “escondido”, devido à sua raridade, pois o criptônio era tão raro que parecia escondido entre os gases mais abundantes da atmosfera, como nitrogênio e oxigênio.
No mesmo ano da descoberta do criptônio, os dois químicos britânicos, Ramsay e Travers, também isolaram dois novos elementos por destilação fracionada do ar líquido a baixas temperaturas, método desenvolvido na época, e os caracterizaram por meio de análises espectroscópicas: o neônio e o xenônio. Em 1902 Ramsay também identificou o hélio.
Em reconhecimento pela descoberta dos gases nobres, William Ramsay recebeu o Prêmio Nobel de Química de 1904.
Referências
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ATKINS, P. W. Shriver & Atkins química inorgânica. BOOKMAN, 2008.
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EMSLEY, J. Nature’s Building Blocks: An AZ Guide to the Elements , Oxford University Press, Nova York, 2ª edição, 2011.
HAYNES, W. M., ed., CRC Handbook of Chemistry and Physics , CRC Press/Taylor and Francis, Boca Raton, FL, 97ª edição, versão da Internet de 2015, acessado em maio de 2025.
Texto produzido pela jornalista Mari Menda, da Gerência de Relações Institucionais do CRQ-SP,
e revisado pela Profa. Dra. Márcia Guekezian, Coordenadora do curso de
Engenharia Química da Faculdade de São Bernardo do Campo – FASB
