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Disponível em <https://crqsp.org.br/canetas-emagrecedoras/>.
Acesso em 27/03/2026 às 05h06.

Canetas emagrecedoras

Canetas emagrecedoras

Live abordou desenvolvimento, características, cuidados e o papel dos químicos nesse mercado

26 de março de 2026, às 17h14 - Tempo de leitura aproximado: 3 minutos

Quais tipos de canetas emagrecedoras existem no mercado, como foram criadas, como são obtidas e como funcionam foram tema de uma live no Canal do CRQ-SP no YouTube nesta quinta-feira com três especialistas no assunto.

A live foi organizada pela Comissão de Química Farmacêutica do Conselho. Os palestrantes foram os químicos Paulo Carvalho e Allan Rossini, ambos com atuação na área de inovação na indústria farmacêutica, e Fábio Marques, químico do setor de Radiofarmácia do Centro de Medicina Nuclear da Faculdade de Medicina da USP. A mediação foi feita pelo químico Érico Nizoli.

O primeiro palestrante foi Allan Rossini, que fez um histórico da descoberta da sinalização hormonal intestino-pâncreas, em 1902, ao desenvolvimento da Seaglutida e da tirzepatida. Ele explicou que a exenatida foi o primeiro medicamento para diabetes tipo 2, e com outra classe de medicamentos, a tirzepatida, em 2002 e 2023, abriu-se o uso para controle da obesidade.

A seguir falou sobre a classe de compostos incretinas. Ele explicou como as incretinas agem, sendo seu uso inicial no tratamento de diabetes tipo 2, com o nome comercial de Mounraro, Ozempic e Saxenda. O efeito para perda de peso causou sua expansão clínica, e hoje são mais utilizadas como canetas emagrecedoras para controle de peso. Entre suas vantagens estão o baixo risco de hipoglicemia quando usadas isoladamente.

Mostrou a seguir as moléculas que atuam nas canetas emagrecedoras e quais seus mecanismos de ação, e falou sobre os receptores de GIP e GLP-1, primeira molécula aprovada para emagrecimento.

A seguir falou sobre as moléculas semaglutida e tirzepatida e sua atuação, e as propriedades farmacológicas da semaglutida, liraglutida e exenatida, explicando que exploram o mesmo princípio: modificar um peptídeo bioativo. Depois explicou como essas moléculas são feitas, e como é a produção peptídica industrial.

No final abordou os efeitos colaterais das canetas emagrecedoras, lembrando que foram desenvolvidas para tratar diabetes tipo 2, e não para controle de obesidade, e por isso elas requerem acompanhamento médico. Falou também sobre os riscos de se usar canetas de procedência desconhecida.

 

O segundo palestrante foi Paulo Carvalho, que discorreu sobre o mercado das canetas emagrecedoras. Ele falou sobre as marcas líderes do mercado e a ação de novos players, que buscam nichos específicos e preços competitivos.

Informou que com o término da patente da Semaglutida novos ingressantes já entraram com pedido de registro na ANVISA, o que representa uma tendência à redução de preços. Também abordou características das canetas, com dose semanal e não diária, e todo o processo regulatório antes do lançamento dessas novas versões. Informou que há sete pedidos já em análise na Anvisa para registro e outros 8 pedidos de análise de produtos análogos sintéticos de produtos biológicos. Falou sobre as possibilidades de trabalho dos químicos dentro da Anvisa e na área de patentes.

A seguir abordou o mercado global das canetas emagrecedoras, e o fato de a Anvisa já ter liberado seu uso também para proteção cardiovascular. Informou que projeções indicam um mercado global entre 150 e 160 bilhões de dólares. Falou sobre os fatores que impulsionam a procura pelas canetas emagrecedoras e como este mercado funciona.

Falou ainda sobre as novas tecnologias e as inovações no setor, e o que está sendo desenvolvido, além dos desafios regulatórios.

Na sequência Fábio Marques falou sobre a interação das moléculas tirzepatida e semaglutida com o organismo. Mostrou uma série de estudos sobre semaglutida e a tizerpatida, que são exemplos de engenharia molecular com tradução clínica, e observou que medicamentos desenvolvidos para uma doença podem se mostrar importantes para outras patologias.

Abordou as modificações moleculares no GLP-1 e GIP, a síntese dos peptídeos e o que ocorre com as canetas quando há variação de temperatura. Depois falou sobre a metabolização da tirzepatida e apresentou uma série de estudos.

Ao final da live os palestrantes responderam às perguntas dos participantes. A live está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=UIrLT3rbnFY.

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