Fleróvio
Fleróvio
26 de fevereiro de 2026, às 10h00 - Tempo de leitura aproximado: 5 minutos
Da descoberta em Dubna aos estudos químicos mais recentes

O fleróvio, com símbolo Fl, é um elemento químico sintético, pertence ao grupo 14, do carbono, silício, germânio, estanho e chumbo, no sétimo período da Tabela Periódica. Apresenta número atômico 114 e é altamente radioativo, sendo sintetizado em aceleradores de partículas por meio da fusão de núcleos de cálcio e de plutônio. Suas propriedades são estimadas e baseadas em estimativas teóricas de outros metais similares. Provavelmente apresente brilho metálico, seja sólido a temperatura ambiente e apresente estados de oxidação +2 e +4.
Em relação aos isótopos do fleróvio, todos são radioativos, apresentam meias-vidas muito curtas, de milissegundos a segundos, e não possuem isótopos naturais estáveis. Há estudos em que os isótopos variam de Fl284 a Fl290, mas o mais estudado é o isótopo Fl289, obtido em pequenas quantidades.
História do fleróvio
Um encontro científico internacional em 1989 abriu as portas para a síntese do fleróvio.
O nome fleróvio homenageia Georgiy N. Flerov, chefe do Laboratório de Reações Nucleares, que pertence ao Instituto Central de Pesquisas Nucleares em Dubna, na Rússia.
Naquele encontro de 1989, o químico norte-americano Ken Hulet, do Laboratório Lawrence Livermore, da Califórnia, juntamente com o professor Flerov decidiram unir esforços para obter novos elementos químicos superpesados utilizando o ciclotron U400 disponível em Dubna. Várias tentativas foram feitas, sem sucesso.
Mas entre novembro e dezembro de 1998, durante 40 dias de operações ininterruptas, uma equipe russo-americana liderada por Yuri Oganessian e Vladimir Utyonkov acelerou por hora dez mil trilhões – ou 10.000.000.000.000.000 – de íons de cálcio-48, um isótopo raro de cálcio com 48 nêutrons, a cerca de 10 por cento da velocidade da luz, e bombardeou plutônio-244. No dia 22 de novembro de 1998, o grupo obteve o primeiro átomo de fleróvio-289, que teve duração de 30,4 segundos antes de decair. No ano seguinte, mais dois átomos foram produzidos.
Aquele grupo de pesquisadores, com alguns novos colaboradores internacionais, foi responsável pela descoberta de seis elementos superpesados. Além do fleróvio, de número atômico 114, eles sintetizaram os elementos 113, 115, 116, 117 e 118.
O novo elemento ganhou na época o nome temporário de ununquadium, e sua denominação definitiva e o símbolo Fl foram adotados pela União Internacional de Química Pura e Aplicada – IUPAC – em maio de 2012. O nome foi sugerido pelos cientistas de Dubna e do Lawrence Livermore National Laboratory para homenagear o grande físico russo.

Assista ao vídeo da Universidade de Nottingham que aborda a descoberta do fleróvio, a escolha de seu nome e características do elemento:
Descobertas mais recentes

Em 2022, um grupo internacional de pesquisadores divulgou mais informações sobre as propriedades químicas do fleróvio, o elemento mais pesado a ser quimicamente analisado até o momento.
Sob a liderança de pesquisadores de Darmstadt e Mainz, na Alemanha, os dois isótopos de fleróvio de vida mais longa, fleróvio-288 e fleróvio-289, foram investigados na instalação experimental TASCA, desenvolvida no Centro de Pesquisas com Íons Pesados em Darmstadt, na Alemanha, especificamente para pesquisar os elementos superpesados.
Referências
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Texto produzido pela jornalista Mari Menda, da Gerência de Relações Institucionais do CRQ-SP,
e revisado pela Profa. Dra. Márcia Guekezian, Coordenadora do curso de Engenharia Química
da Faculdade de São Bernardo do Campo – FASB.
