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Acesso em 13/02/2026 às 23h32.

Especialistas explicam como garantir a segurança em piscinas

Especialistas explicam como garantir a segurança em piscinas

Live abordou tratamento de água, o perigo da mistura de produtos e o trabalho dos químicos

13 de fevereiro de 2026, às 16h26 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

O CRQ-SP em parceria com o Conselho Federal de Química promoveu nesta sexta-feira uma live  com o objetivo de esclarecer a população sobre a importância do tratamento químico correto da água de piscinas.

Os palestrantes foram o engenheiro químico e Superintendente do CRQ-SP, Wagner Contrera Lopes, o conselheiro federal do CFQ Rodrigo Moura e o químico e enólogo Jefferson Santos. A apresentação foi feita por Aislan Balza, Gerente de Relações Institucionais do Conselho.

A live consistiu em uma série de perguntas e respostas. A primeira pergunta foi sobre a qualidade da água em piscinas coletivas, e se a má qualidade é capaz de causar mortes. Jefferson Santos explicou como são feitos os tratamentos químicos da água, alertando que se houver falhas no tratamento pode haver a produção de gás cloro, como infelizmente ocorreu no acidente de sábado passado em uma academia de natação de São Paulo. “Se você tomar todos os cuidados na manutenção dessas águas não haverá problema, e para isso é preciso haver um profissional com conhecimento técnico, como um químico”.

A segunda pergunta foi sobre o que estava errado na academia de natação de São Paulo que teria causado o acidente. Rodrigo Moura explicou que esta é uma investigação ainda em curso, mas o fator decisivo no acidente deve ter sido a mistura de dois produtos diferentes no mesmo vasilhame. Esses produtos reagiram, colocando a vida de várias pessoas em risco. Além disso, houve problema com a quantidade de produtos utilizados, em uma sequência de fatos que resultou em um óbito e em pessoas intoxicadas. Ele chamou a atenção para a complexidade do tratamento de água de piscinas.

Jefferson Santos lembrou que existem diferentes tipos  de tratamentos para piscinas, por isso é importante ter  um profissional capacitado à frente desse processo.

Um dos indicadores de problemas na água de uma piscina é o cheiro forte. Jefferson Santos alertou que as pessoas devem se afastar do local se sentirem um forte cheiro de cloro, porque isso não é o normal. Wagner Lopes falou sobre os contaminantes, e lembrou que a própria presença de muitas pessoas na piscina acaba contaminando a água com suor, urina, cosméticos, e a reação do cloro com contaminantes gera cloramina, que tem cheiro forte. A recomendação é que, se isto isso acontecer, as pessoas saiam da água.

Rodrigo Moura explicou o que acontece  quimicamente quando os produtos são misturados incorretamente. Ele lembrou que a atuação do químico é dirigir as reações de forma desejada e controlada, ao contrário do que ocorreu na academia de São Paulo, quando a reação obtida com a mistura de produtos não teve controle.

Jefferson Santos citou os produtos químicos empregados no tratamento de piscinas, explicando que eles variam de acordo com vários pré-requisitos, como a dureza da água e quantas pessoas vão utilizar a piscina, por exemplo. Existem dosagens adequadas para controlar microrganismos, produtos para regular o pH da água, produtos oxidantes para manter o ambiente de maneira adequada e outros coadjuvantes. “São vários produtos que vão mudando ao longo do tempo e têm que ser recomendados por um profissional da química”.  Depois listou 4 parâmetros importantes para manter a qualidade da água: o nível de cloro para controle dos microrganismos patógenos; controlar o pH da solução próximo ao pH neutro; controlar a alcalinidade para que o pH não varie muito; controlar turbidez e aspecto com produtos específicos.

Wagner Lopes salientou a importância de clubes, condomínios e academias só adquirirem produtos regulares junto à Anvisa, e em canais oficiais de compra, como empresas, fabricantes e distribuidores, e não comprar de ambulantes e de veículos que passam vendendo produtos irregulares.

Rodrigo Moura lembrou que é importante fazer a leitura dos rótulos dos produtos, porque protege as pessoas, as famílias, mesmo em caso de piscinas unifamiliares e, principalmente, verificar se os produtos estão registrados nos órgãos competentes. “Essa regularização pode evitar acidentes”, afirmou.

Jefferson Santos abordou os protocolos de tratamento de piscinas, lembrando que não se pode medir os produtos a olho, e as quantidades devem ser tecnicamente definidas.

Rodrigo Moura explicou a diferença entre manutenção operacional e Responsabilidade Técnica, dizendo que a Responsabilidade Técnica fornece um aval de que aquele processo ou reação química é acompanhado por um técnico ou profissional que domina a operação.

“Responsabilidade Técnica é fundamental e não é burocracia, é garantia de segurança para a sociedade”.

Wagner Lopes explicou que piscinas públicas, como de academias, clubes ou condomínios, devem contar com responsável técnico. “Mas mais do que uma exigência legal, esta é uma medida para a segurança dos usuários, já que você tem contaminantes na piscina e precisa ter o acompanhamento de uma empresa ou mesmo um profissional autônomo”.

Rodrigo Moura explicou o que é Anotação de Responsabilidade Técnica e sua abrangência. Os palestrantes mostraram na tela como é uma ART e como preenchê-la. Na sequência, Wagner Lopes abordou aspectos de normas e da legislação sobre o tema, como a Resolução Normativa 332 do CFQ. Outras perguntas foram respondidas pelos palestrantes, especialmente sobre a abrangência da responsabilidade técnica.

Mais de 500 pessoas assistiram a live ao vivo. O conteúdo está disponível no canal do CRQ-SP no YouTube, em https://www.youtube.com/watch?v=UfnH6JIVSNM.

 

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